Começo por
dizer que não posso dizer tudo. A
vergonha invade-me por me ter deixado levar pela cobardia. Preferi fugir e
fazer de conta que não éramos mais do que duas pessoas conhecidas e que não te
devia satisfações. Fugi e deixei-me levar pela paixão e simplesmente tu eras
mais uma pessoa no meu caminho, e eu não ia deixar que pudesses estragar algo.
Como se fosses estragar alguma coisa...! Pura ignorância.
Essa minha
cobardia... há anos que me corrói por ter sido cobarde uma única vez. Fingi
tudo menos aquela paixão. Fingi que não me importava que te deixasse de ver,
que te fosses embora sem nenhum contato meu. Mesmo sabendo que não nos veríamos
e se nos víssemos, não nos iríamos cumprimentar. Nem dizer um “Oi”.
Aquela
cobardia... teria sido tudo mais fácil se ao menos eu dissesse uma palavra, uma
palavra apenas. Tudo poderia ser diferente do que é agora. Mas eu sei que não
gostaste, ficaste com mágoa e quiseste afastar-te de mim... Não! Eu é que me
afastei, não vou ser cobarde de novo! Aquelas conversas terminaram, aquelas
saídas acabaram, aquele afeto murchou. E a amizade enfraqueceu. Dediquei-me à
minha paixão, e tudo isso perdi, na inocência de acreditar que tudo o que tive
eu poderia voltar a ter. Puro engano, enorme erro.
Não voltei a
sentir o teu afeto, não voltei a ter o teu carinho, nem as conversas que
tínhamos. Nunca mais senti a vontade de sair e ir, voltar e ter vontade de sair
de novo. Não sabes como me arrependi por ter feito tal coisa. Estraguei tudo e
eu adorava-te.
Eu vi-te umas
vezes depois da minha cobardia. Não sei se me viste. Mas uma coisa é certa: eu
vi-te e não tive coragem de ir ter contigo, falar contigo e enfrentar qualquer
que fosse a dificuldade. Não fui capaz. Senti tanta vergonha. Mas fiquei feliz
por te ver. Gostei de te ver, e parecias-me diferente. Mais feliz... não sei se
é verdade ou se foi algo em que quis acreditar ver.
Se ao menos eu
tivesse sido sincera contigo, como sempre fui. Se ao menos eu soubesse o que
sentias e eu soubesse lidar com isso sem te magoar. Se ao menos eu pensasse em
ti e não fosse egoísta naquele momento. Mas a paixão falou mais alto. E sim, não
é razão, mas... resta-me dizer que lamento tudo o que aconteceu. Lamento ter-te
perdido. Lamento ter perdido a tua amizade. E lamento ainda por eu não ter a coragem
de te enfrentar. Pois foste especial, não duvides disso. Passaram anos e devia
ter-te esquecido, mas torna-se impossível... E a minha paixão continua. Cada
vez mais o desejo de te encontrar e recuperar o que foi perdido é maior.
Fica na minha
lista de coisas a fazer antes de chegar o meu fim, falar contigo, pedir-te
perdão e receber um abraço teu. Só isso. Tomara que eu ganhe coragem até lá, e
esse desejo se concretize. Até um dia, quem sabe.
TB*
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